Uma geofísica chilena desce 7.680 metros na Fossa do Atacama e encontra falhas moldadas por grandes terremotos
*Aprofundando a compreensão da Fossa do Atacama, geofísica chilena descende 7.680 metros e encontra falhas moldadas por terremotos**
Valeria Cortés, geofísica associada ao Instituto Milênio de Oceanografia da Universidade do Chile, conquistou um marco na exploração da Fossa do Atacama ao alcançar uma profundidade de 7.680 metros, desafiando as condições extremas do fundo do oceano. Neste esforço notável, a equipe binacional JCATE, em colaboração com a Academia Chinesa de Ciências, utilizou o submersível chinês Fendouzhe durante aproximadamente 11 horas para coletar dados e amostras na margem chilena. A data crucial para essa empreitada foi 23 de janeiro, quando Valeria Cortés se aproximou de estruturas que normalmente só seriam vistas em perfis e modelos geofísicos.
O mergulho na Fossa do Atacama visa entender o processamento contínuo da subducção, na qual a placa de Nazca mergulha sob a continente. Esse processo é fundamental para a composição das falhas e escarpas que se formam na interface entre as placas de Nazca e Sul-Americana. As informações recolhidas pela tripulação podem revelar o que acontece ao redor da Fossa do Atacama, como a tensão e resistência das rochas na margem do Chile e do Peru. Conhecer a geometria da subducção pode ser fundamental para entender o que acontece nos fundos do oceano e por que alguns terremotos foram tão destrutivos.
A descida à Fossa do Atacama não permite prever com certeza a data do próximo grande terremoto, mas ela oferece a possibilidade de compreender melhor os principais eventos que contribuem para a formação de terremotos. Durante a descida, a equipe observou as deformações no fundo do oceano, que foram moldadas por grandes terremotos ao longo dos séculos. O objetivo desta pesquisa é entender como essas deformações contribuem para a formação de terremotos, e como as tensões acumuladas nos fundos do oceano afetam a vida marinha que habita essas regiões.
A Fossa do Atacama é uma verdadeira fronteira científica, onde a pesquisa pode revelar segredos sobre a composição das rochas no fundo do oceano e a vida que habitaria essas regiões. Com as informações colhidas, os científicos podem adicionar mais peças ao grande quebra-cabeça da compreensão dos processos geológicos que moldam a Terra. Os dados e amostras obtidos durante esta expedição podem esclarecer a composição das rochas em questão e como elas afetam a circulação de fluidos e a vida hadal. Além disso, estas informações podem contribuir com a compreensão da vida marinha que habita essas regiões profundas.
A viagem de Valeria Cortés aproximou a pesquisadora das estruturas que normalmente aparecem apenas em perfis e modelos. A Fossa do Atacama é uma das zonas de subducção com maior atividade na Terra. Ela segue a margem do Chile e do Peru, onde as placas tectônicas se encontram ao longo da pluma de subducção. Essas duas fronteiras — humana e tectônica — criam um cenário único para a investigação científica e podem nos proporcionar novas descobertas sobre os fenômenos geológicos que moldam o nosso planeta.
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