Os isópodes supergigantes que habitam as profundezas marinhas desafiaram a lógica até os cientistas da revista Cell. Essas criaturas, parentes do tatuzinho de jardim, consegue sobreviverem mais de cinco anos sem se alimentar graças ao desenvolvimento de um sistema duplo de sobrevivência que combina um estômago colossal com um gene “roubado” de bactérias. O estômago enorme permite que eles acumulem uma grande quantidade de comida, enquanto o gene ND1, obtido por transferência horizontal de genes de bactérias, regula as mitocôndrias e desliga o gasto de energia do animal, permitindo que eles sobrevivam em ambientes frios e escassos de nutrientes.
Com o objetivo de entender como esses animais gigantes podem sobreviver em condições tão adversas, os científicos descobriram que eles reprogramaram o seu corpo para economizar combustível em vez de buscar comida o tempo todo. Eles desenvolveram uma estratégia baseada em duas frentes: aumentar a capacidade de estocagem e reduzir a gasta calórica ao mínimo. A anatomia interna desses bichos se transformou em uma verdadeira dispensa biológica de alta eficiência, equipada com recursos para armazenar comida por longos períodos de tempo. O gene ND1, essencial para essa sobrevivência, funciona como um termostato inteligente, reagindo diretamente ao ambiente gelado do leito oceânico profundo.
Essa descoberta desafia a lógica sobre a sobrevivência de animais em ambientes adversos, abrindo uma nova janela para a compreensão do desenvolvimento de sistemas de sobrevivência em espécies extremo-frias. Além disso, essa pesquisa destaca a importância da transferência horizontal de genes, que acontece quando organismos capturam genes de outros organismos, como bactérias, e os incorporam em seu próprio DNA. Esse processo é fundamental para a evolução de adaptações a ambientes específicos.