Localizado no Mar de Bering, entre as margens do Alasca e da Sibéria, o Cânion de Zhemchug é considerado o cânion submarino mais profundo do mundo, com um relevo vertical de 2.600 metros e extensão de aproximadamente 160 quilômetros. Sua área de drenagem alcança cerca de 11.350 km² e o volume associado é de aproximadamente 5.800 km³. O cânion supera em profundidade o Grand Canyon, no Arizona, que atinge cerca de 1.857 metros em sua profundidade máxima. A formação do Cânion de Zhemchug está ligada ao fim do último período glacial, quando o nível dos oceanos era cerca de 100 a 120 metros mais baixo que hoje, e foi esculpido por processos ligados à margem continental, ao nível do mar e ao transporte de sedimentos.
A pesquisa publicada na ScienceDirect discute a estrutura e a origem dos grandes cânions submarinos do Mar de Bering, destacando o papel do rio Yukon na escultura desse relevo. Em períodos de nível marinho mais baixo, o sistema de drenagem do rio Yukon podia avançar sobre áreas hoje submersas, transportando lama, areia e fragmentos rochosos que ajudaram a alimentar a erosão na margem continental. Posteriormente, correntes densas continuaram descendo pelo relevo submarino, mantendo a fenda como uma rota de transporte sedimentar entre a plataforma continental e as regiões mais profundas do Mar de Bering. Esse processo de erosão e transporte sedimentar permitiu a formação do Cânion de Zhemchug.
Apesar da escuridão e da profundidade, o desfiladeiro não é um vazio biológico. A topografia do cânion canaliza águas ricas em nutrientes, favorece ressurgências e cria um ambiente propício para a vida marinha. A comparação entre o Cânion de Zhemchug e o Grand Canyon destaca as diferenças em suas origens e formação, com o primeiro sendo esculpido por processos submarinos e o segundo por erosão em terra firme.
A descoberta do Cânion de Zhemchug contribui para a compreensão da geologia e da ecologia submarina, oferecendo insights sobre a formação de relevos submarinos e a vida marinha em ambientes extremos. Além disso, a pesquisa sobre o cânion pode ter implicações para a exploração e conservação de recursos naturais, bem como para a compreensão das mudanças climáticas e seus efeitos nos oceanos.