As pepitas de ouro são um fenômeno natural que ocorre em veios de quartzo e é amplamente associado à presença desses minerais na crosta terrestre. No entanto, a explicação tradicional para a formação dessas pepitas não é suficiente, pois não explica como uma quantidade tão reduzida de ouro dissolvido em fluidos quentes pode se acumular em grãos tão grandes e maciços. Um estudo publicado na revista Nature Geoscience em 2024, liderado pelo geólogo Christopher Voisey, da Universidade Monash, na Austrália, oferece uma resposta surpreendente: a piezoeletricidade do quartzo pode ser responsável pela acumulação de ouro em pepitas.
A piezoeletricidade do quartzo é uma propriedade fascinante que faz com que ele gere uma carga elétrica quando é pressionado ou deformado. Isso ocorre porque o quartzo é um mineral que apresenta uma estrutura cristalina especial, o que permite que ele secomunique e se comunique através de efeitos eletrônicos. A equipe de Voisey testou essa ideia simulando o efeito de um terremoto em placas de quartzo mergulhadas em uma solução com ouro dissolvido. O resultado foi que a eletricidade gerada pelo quartzo puxou o ouro da água e o depositou em grãos sobre o quartzo. Além disso, os cientistas observaram que, onde já havia um pouco de ouro depositado, o metal crescia a cada novo “tremor” simulado, sugerindo que o ouro atrai ouro. Este fenômeno permite entender como veios de quartzo, que têm a capacidade de juntar o ouro que está em água, podem, na verdade, formar pepitas.
Este estudo não apenas resolve um dos maiores mistérios da geologia, como também pode impactar o setor de mineração. Com a capacidade de produzir ouro de alta qualidade em maiores quantidades, os técnicos têm acesso a recursos naturais importantes para a indústria. O trabalho desenvolvido pela equipe do Universidade Monash demonstra como a ciência pode proporcionar entendimento dos processos que fazem com que as pepitas apareçam em veios de quartzo.