A descoberta de dois navios afundados no Mar da China Meridional, a quase 1.500 metros de profundidade, perto da ilha de Hainan, no sul da China, é considerada uma das maiores descobertas da arqueologia submarina da China. Os navios, que datam do século XVI, da dinastia Ming, foram encontrados com uma carga impressionante de mais de 900 peças, incluindo porcelana, cerâmica, moedas de cobre, madeira exótica, chifres de veado e conchas do mar. Estima-se que ainda existam mais de 10 mil objetos no fundo do mar. A descoberta revela que a China, muito antes da grande corrida marítima europeia, já era protagonista de uma rede de comércio que cruzava oceanos, com uma rota de ida e volta organizada e regular, parte da chamada Rota da Seda marítima.
A equipe de arqueólogos utilizou um robô submarino para explorar o fundo do mar e flagrou as formas redondas no fundo, que à primeira vista pareciam pedras, mas eram porcelanas de 500 anos, empilhadas e perfeitas. A profundidade e a escuridão ajudaram a preservar a porcelana, que resistiu cinco séculos com o esmalte e a pintura quase intactos. Os dois navios não faziam a mesma coisa: um levava porcelana para exportação, feita em Jingdezhen, a capital da porcelana imperial chinesa, enquanto o outro trazia produtos importados do Oceano Índico ou do Sudeste Asiático. A datação das peças foi possível graças a marcas que ajudam a cravar a época, como uma tigela vermelha e verde ligada ao primeiro ano de reinado do imperador Zhengde, que governou entre 1506 e 1521.
A conservação dos objetos encontrada é notável. A pressão e a falta de luz no fundo do mar criaram um ambiente que preservou as porcelanas, cerâmicas e outros materiais. A descoberta também traz informações sobre o comércio marítimo durante a dinastia Ming. A porcelana encontrada é originária de Jingdezhen, conhecida como a capital da porcelana imperial chinesa. Os navios teriam afundado possivelmente devido a uma tempestade ou acidente. A Rota da Seda marítima era uma rede de comércio que interligava a China ao Oceano Índico e ao Sudeste Asiático. O estudo de arqueologia submarina é essencial para compreender a história do comércio e navegação.
A descoberta desses navios ajuda a compreender melhor a história da China e do comércio marítimo na região. A exploração de águas profundas abre novas possibilidades para a pesquisa arqueológica. O trabalho de resgate e análise das peças continua, e novas descobertas são esperadas. A porcelana encontrada é um exemplo da riqueza cultural e histórica da China.