Essa liberdade não era sinônimo de descuido, mas sim de um treino sistemático de competências emocionais. A ausência de adultos permitia que as crianças desenvolvessem habilidades importantes, como autorregulação emocional e cognitiva, criatividade, empatia e competência social. Estudos demonstram que a brincadeira livre, sem organização ou direção adulta, é fundamental para o desenvolvimento de resiliência e outras habilidades importantes. A American Psychological Association afirma que a brincadeira livre é uma necessidade fundamental para que crianças desenvolvam essas habilidades. Além disso, a lentidão forçada da vida cotidiana, sem a tecnologia que caracteriza a era moderna, treinou paciência, foco e tolerância ao desconforto.
No entanto, é importante notar que a negligência benigna não é uma abordagem que possa ser aplicada de forma generalizada, pois cada criança tem necessidades e características únicas. Além disso, é fundamental que os pais ou responsáveis ofereçam uma estrutura básica segura e apoio emocional às crianças. A chave é encontrar um equilíbrio entre a liberdade e a segurança, permitindo que as crianças desenvolvam habilidades importantes, mas também se sintam apoiadas e protegidas.
Em uma época em que a parentalidade autoritária e a permissiva são comuns, é interessante notar que a negligência benigna pode ter sido um fator importante na formação de uma geração mais resiliente. Embora não seja possível replicar exatamente as condições da infância nos anos 60 e 70, é possível aprender com essa experiência e aplicar princípios que ajudem a desenvolver habilidades importantes em crianças e adultos. A resiliência, em particular, é uma habilidade valiosa que pode ser desenvolvida e aprimorada ao longo da vida, e a compreensão de como ela foi desenvolvida em gerações anteriores pode ser útil para aqueles que buscam melhorar sua própria capacidade de lidar com desafios.