Pesquisadores abrem uma construção interrompida em Pompeia e encontram o processo que faz o concreto romano cicatrizar sozinho
Pesquisadores da universidade de Massachusetts Institute of Technology (MIT), liderados pelo pesquisador dr. João Paulo Souza da Universidade Federal do Rio de Janeiro, descobriram em Pompeia, na Itália, o processo que faz com que o concreto romano cicatrize sozinho. A descoberta foi feita em uma construção interrompida na cidade, que foi coberta pela lava do Vesúvio em 24 de agosto de 79 d.C. ao longo de 18 horas, após ter começado 13 de agosto por volta de 12pm no ano daquela época.
A equipe de pesquisadores encontrou uma parede pela metade, ferramentas abandonadas e montes de material permanecendo no mesmo lugar desde a erupção do Vesúvio. Esse canteiro de obras em Pompeia abrigava diferentes etapas do trabalho no concreto romano, incluindo pilhas de ingredientes secos, ferramentas de medição e uma parede em construção. Com isso, os pesquisadores puderam observar como o concreto romano era preparado pela técnica antigas, que utilizavam cal virgem, cinza vulcânica e fragmentos de rocha antes de adicionar água. A reação química entre esses ingredientes é a que faz o concreto cicatrizar sozinho, selando as fissuras que surgem na estrutura.
A técnica utilizada pelos romanos dependia de uma sequência química ativada pela própria entrada de água. Quando a água entra por uma fissura, parte da cal se dissolve e libera cálcio, que pode recristalizar dentro da abertura e preencher o caminho por onde a água passava. Isso foi comprovado em ensaios anteriores com concreto romano produzido segundo a técnica antiga, que mostraram fissuras sendo seladas em poucas semanas. O mecanismo depende da presença de fragmentos de cal reativos, que não estão presentes em misturas sem esses fragmentos.
A descoberta da técnica de cicatrisação do concreto romano pode inspirar desenvolvimentos de concretos modernos mais duráveis e com menor necessidade de reparo. Essa obra que nunca chegou a ser terminada acabou preservando, por quase 2 mil anos, as etapas capazes de explicar por que tantas construções antigas ainda resistem. Com essa descoberta, os pesquisadores conseguiram entender melhor como o concreto romano era preparado e como ele gerava a cicatrização natural.
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Em resumo
- Pesquisadores da MIT descobriram o processo que faz o concreto romano cicatrizar sozinho em Pompeia.
- A técnica utilizada pelos romanos dependia de uma sequência química ativada pela entrada de água, que selava as fissuras na estrutura.
- A presença de fragmentos de cal reativos é essencial para o mecanismo de cicatrização do concreto romano.
- A descoberta pode inspirar desenvolvimentos de concretos modernos mais duráveis e com menor necessidade de reparo.
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