Sciência

Núcleo interno da Terra desacelera e muda de rota há 20 anos

Pesquisadores da Universidade de Califórnia, Berkeley, incluindo o professor Xiaodong Song, e da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, descobriram que o núcleo interno da Terra desacelera e refaz seu caminho em uma oscilação escondida sob nossos pés. Essa mudança ocorre há cerca de 20 anos, entre 2003 e 2023, e foi detectada por meio de análises de ondas sísmicas geradas por terremotos repetidos. O núcleo interno é uma esfera sólida rica em ferro que gira com o planeta, mas sua velocidade pode ficar ligeiramente adiantada ou atrasada em relação ao manto e à crosta. A análise, publicada na Nature, encontrou sinais de super-rotação entre 2003 e 2008, quando o núcleo interno girou um pouco mais rápido que o manto.

Depois, o movimento relativo diminuiu e passou para uma fase de sub-rotação, com padrões sísmicos retornando a estados observados anos antes. Essa mudança é relativa e não significa que o planeta parou. O movimento resulta de forças que competem, incluindo o campo magnético gerado no núcleo externo líquido, que pode empurrar o núcleo interno, enquanto a atração gravitacional do manto tende a frear ou reajustar esse giro. Essas trocas redistribuem uma quantidade mínima de momento angular, pequena demais para ser sentida, mas suficiente para alterar ondas sísmicas medidas com instrumentos precisos.

Os pesquisadores usam terremotos que acontecem em locais muito próximos e produzem ondas quase idênticas. Quando essas ondas atravessam o centro da Terra, pequenas mudanças no caminho ou na estrutura profunda alteram a forma do sinal recebido. De acordo com Sérgio Sacani, do canal Nas Fronteiras do Universo, com mais de 108 mil inscritos, a mudança na rotação relativa do núcleo interno pode ser explicada por essa oscilação. Outro trabalho, publicado na Nature Geoscience, propõe uma oscilação de várias décadas e sugere que o movimento relativo não segue uma direção constante.

As mudanças na duração do dia são medidas em milissegundos e não há evidência de que a fase atual provoque terremotos, inverta a rotação da Terra ou gere uma catástrofe. No entanto, o estudo encontra coincidências entre a oscilação e variações na duração do dia e no campo magnético. A oscilação do núcleo interno permanece uma das maiores incógnitas sobre o interior da Terra e seu estudo pode revelar como as camadas profundas interagem.


Descubra mais sobre Toda On

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Analise este conteúdo com IA

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *.