Automotivo

Mônica Marí desmascara o mito do combustível mais caro

Mônica Marí, responsável por um posto de combustível, afirma que muitos motoristas acreditam que o combustível mais caro é melhor, mas nem sempre é assim. Ela trabalha há anos numa estação de serviço e ouve praticamente a mesma coisa todo dia: motoristas convencidos de que o combustível mais caro protege melhor o motor. O que aconteceu é que motoristas estão pagando mais por um combustível que pode não ser necessário para o seu veículo, o que é importante porque pode resultar em um desperdício de dinheiro. Isso aconteceu porque muita gente acha que, porque um combustível é mais caro, é automaticamente melhor, mas nem sempre é assim, como afirma Mônica Marí.

Mônica Marí reforça que há quem busque a versão de 98 octanas, convencido de que o carro vai render muito mais, quando a de 95 octanas já cumpre perfeitamente a função na maioria dos veículos. A diferença central entre a gasolina de 95 octanas e a de 98 octanas não é qualidade genérica, é resistência à detonação. Motores de alta compressão, como os de carros esportivos, precisam dessa queima mais controlada para evitar danos internos. Sempre se recomendam seguir as especificações do fabricante, como afirma Mônica Marí. Dois grupos de motor reagem de forma bem diferente a esse detalhe: os que precisam de gasolina de alta octanagem e os que não precisam.

O maior estudo independente sobre o tema foi conduzido pela Automobile Association of America (AAA), em parceria com o Automotive Research Center da Califórnia, em 2016. Os pesquisadores testaram gasolina de 87 octanas e 93 octanas em motores V-8, V-6 e I4 projetados para rodar com combustível regular. O resultado foi direto: nesses veículos, a versão premium não gerou mais potência, não melhorou a economia e não reduziu emissões. A própria AAA estimou um desperdício de mais de 2,1 bilhões de dólares num único ano nos Estados Unidos com motoristas abastecendo premium sem necessidade. Existe sim um cenário onde a octanagem mais alta compensa de verdade: quando toda a frota leve passa a usar gasolina premium e os motores são projetados de fábrica para essa taxa de compressão maior. Nesse caso, as emissões de CO₂ podem cair cerca de 35 milhões de toneladas por ano, com economia de até 6,4 bilhões de dólares até 2040.

Um relatório técnico da CONCAWE reforça o mesmo raciocínio: a especificação indicada pelo fabricante deve ser sempre o ponto de partida, nunca a octanagem mais alta disponível na bomba. Mônica Marí resume o que os estudos mostram: é importante seguir as especificações do fabricante e não pagar mais por um combustível que não é necessário para o seu veículo. Isso pode resultar em economia de dinheiro e também em redução de emissões de CO₂. Além disso, é fundamental entender que a escolha do combustível certo pode ter um impacto positivo no meio ambiente e também no bolso do motorista. Por isso, é importante estar informado sobre as especificações do seu veículo e escolher o combustível que é necessário, em vez de apenas escolher o mais caro.

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