O governo dos Estados Unidos anunciou a inclusão das duas maiores facções criminosas brasileiras, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), considerando-as organizações criminosa e transnacionais violentas. Com isso, as facções brasileiras serão colocadas na mesma categoria que cartéis mexicanos e grupos armados internacionais, a partir de 5 de junho. A medida visa ampliar o alcance jurídico das sanções dos EUA e aproximar as facções brasileiras do mesmo enquadramento aplicado a entidades sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Ativos eventualmente vinculados às organizações sob jurisdição norte-americana podem ser bloqueados e cidadãos, empresas e instituições financeiras ficarão proibidos de realizar transações com integrantes ou operadores ligados aos grupos.
A inclusão das facções brasileiras na lista de FTOs ocorre em um contexto de mudanças na política de segurança norte-americana. O anúncio do governo dos EUA reescreve a relação dos Estados Unidos com a América Latina e reforça a importância da região na estratégia geopolítica de Washington. Segundo fontes do Departamento de Estado, as redes criminosas “estendem-se muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente interesses de segurança nacional dos EUA. A medida visa proteger a nação norte-americana e seus interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas fora das ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos.
A classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras é uma decisão política que reforça a importância da relação entre os EUA e a América Latina. Desde o início da década de 2010, a luta contra o tráfico de drogas e o crime organizado se tornou uma prioridade na política exterior norte-americana. A inclusão das facções brasileiras na lista de FTOs é um sinal de que a região será uma das principais áreas de atuação da política de segurança norte-americana nos próximos anos. Além disso, a medida pode ter implicações na política interna brasileira, pois pode ser utilizado como argumento para justificar a implementação de medidas mais duras contra o crime organizado no país.
A inclusão das facções brasileiras na lista de FTOs também pode ter implicações na relação comercial entre os EUA e o Brasil. A medida pode levantar barreiras comerciais e restringir a liberação de créditos para empresas brasileiras que têm laços com as facções criminosas. Além disso, a medida pode afetar a liberação de créditos e financiamentos para aeronaves e navios relacionados ao tráfico de drogas e ao crime organizado.