As salamandras-de-fogo, uma espécie amplamente estudada da Europa, possuem uma habilidade biológica impressionante e completamente inesperada. Quando expostas à luz ultravioleta, esses anfíbios revelam um brilho fluorescente em tons de verde e turquesa que permaneceu desconhecido durante décadas. A descoberta está intrigando cientistas que pesquisam sobre novas formas de comunicação animal e mecanismos de defesa. A biofluorescência, ou a capacidade de reemitar luz ultravioleta invisível em comprimentos de onda visíveis, é um fenômeno que pode ser observado principalmente nas regiões amarelas do corpo e nas secreções produzidas pelas glândulas da pele da salamandra. Compostos presentes na pele transformam a radiação UV em um brilho verde-ciano intenso.
Os pesquisadores afirmam que é surpreendente que um fenômeno tão visível sob luz UV tenha permanecido desconhecido por tanto tempo em uma espécie amplamente estudada. A biofluorescência é diferente da bioluminescência, que é a capacidade de produzir luz por meio da reação química, como observado em vaga-lumes, por exemplo. Os humanos normalmente não conseguem enxergar essa fluorescência sem auxílio de lâmpadas ultravioletas, mas diversos animais possuem visão capaz de detectar esse tipo de brilho natural. Em termos práticos, isso significa que as salamandras-de-fogo podem usar essa fluorescência para se comunicar e se defender em ambientes escuros e florestas densas durante a noite. Além disso, o fenômeno pode reforçar os sinais de advertência usados pelo animal para alertar predadores sobre sua toxicidade.
Acredita-se que a biofluorescência atenda vários critérios associados à comunicação visual em espécies noturnas. Em um contexto mais profundo, a fluorescência pode desempenhar funções ecológicas importantes, como meios de identificação e comunicação entre os membros de uma mesma espécie. Em ambientes onde a visibilidade é limitada, como florestas densas ou ambientes aquáticos, essa capacidade pode ser uma vantagem significativa. Os cientistas também especulam que a biofluorescência pode ser utilizada como um mecanismo de defesa para dissuadir predadores, pois pode ser um indício da presença de toxinas. Em resumo, a descoberta da biofluorescência nas salamandras-de-fogo é uma notícia importante que pode revelar novas maneiras de entender a interação entre animais e seus ambientes.