Em um vulcão da Islândia, pesquisadores descobriram micróbios vivos em lava solidificada há poucas horas, desafiando a visão de que ecossistemas extremos levam décadas para se formar. O vulcão Fagradalsfjall, na península de Reykjanes, entrou em erupção em 2021 e permaneceu ativo até 2023, criando um ambiente único para estudar a colonização microbiana. A equipe liderada por Nathan Hadland, da Universidade do Arizona, coletou amostras de lava recém-solidificada, aerossóis, água da chuva e do entorno para rastrear a origem dos microrganismos por análise de DNA. Os resultados mostram que a vida surge rapidamente em ambientes extremos, seguindo uma sequência mensurável, com organismos resistentes transportados pelo vento, poeira, chuva e bioaerossóis.
A pesquisa realizada no Fagradalsfjall envolveu a coleta de amostras em diferentes estágios de solidificação da lava, permitindo que os cientistas acompanhassem a colonização microbiana quase desde o início. O estudo publicado na Communications Biology descreve um processo em duas etapas: primeiro, uma chegada rápida e variável de micróbios; depois, uma estabilização da comunidade após o primeiro inverno islandês. A lava basáltica sai do solo em temperaturas extremas, chegando a ser praticamente estéril ao se solidificar. No entanto, os pesquisadores encontraram sinais de colonização microbiana em amostras muito jovens, incluindo material coletado poucas horas depois do resfriamento. Esse processo de colonização envolve micróbios trazidos por partículas do ar, poeira, solo próximo e aerossóis, que posteriormente são redistribuídos pela chuva e selecionados pelo frio.
A equipe também desenvolveu um modelo de random forest para prever estágios de colonização nas lavas de 2022 e 2023, com base em dados da erupção de 2021. A capacidade de prever a colonização microbiana com certa precisão sugere que a vida não apenas chega rápido, mas tende a seguir uma lógica ecológica repetível. Isso contrasta com a ideia de que ambientes recém-formados costumam parecer caóticos. No caso do Fagradalsfjall, as comunidades mudaram bastante nas primeiras semanas, mas se tornaram mais estáveis depois do primeiro inverno. A pesquisa oferece uma visão mais clara sobre como a vida pode surgir e se estabelecer em ambientes extremos, o que tem implicações para a compreensão de ecossistemas em outros planetas.
A descoberta de micróbios vivos em lava recém-solidificada no vulcão Fagradalsfjall abre novas perspectivas para entender como a vida pode surgir em ambientes hostis. A pesquisa realizada nesse ambiente único contribui para a compreensão de como a colonização microbiana ocorre em diferentes condições, fornecendo insights valiosos sobre a resiliência da vida na Terra e em outros lugares do universo. Além disso, os resultados obtidos podem ser aplicados em estudos de astrobiologia, ajudando a avaliar a possibilidade de vida em outros planetas com condições semelhantes.