A América Latina está inserida na nova corrida espacial, não como competidora direta para estabelecer bases em outros planetas, mas com um papel importante a desempenhar. A região abriga uma diversidade de níveis de desenvolvimento espacial entre seus países, e embora a cooperação regional exista, ela é limitada. O setor espacial na América Latina tem um grande potencial, especialmente com o crescimento do NewSpace, que engloba empresas privadas que operam no espaço com foco em rentabilidade. Países como o Brasil, com o Centro Espacial de Alcântara, localizado estrategicamente perto da Linha do Equador, oferecem vantagens logísticas para lançamentos espaciais. Além disso, iniciativas como o projeto Colmena, que visa a exploração mineral lunar com pequenos robôs, demonstram a capacidade da região em contribuir para a exploração espacial.
A nova corrida espacial não se limita à competição entre grandes potências por prestígio e avanço científico, mas também envolve a exploração de recursos em asteroides, na Lua e em Marte. A cooperação entre países latino-americanos é limitada, e a exploração espacial ainda não é uma prioridade para a região. No entanto, o NewSpace trouxe novas oportunidades, com empresas privadas buscando rentabilidade em atividades espaciais. O pesquisador César Bertucci, do Instituto de Astronomia e Física do Espaço, destaca que a América Latina não está inserida na competição entre Estados, mas apresenta um grande potencial para contribuir com a exploração espacial. A missão Colmena 1, lançada em 2024, é um exemplo de como a região pode validar suas tecnologias e contribuir para a exploração espacial.
A região oferece vantagens logísticas importantes, como a localização do Centro Espacial de Alcântara, no Brasil, que é uma das melhores do mundo para lançamentos espaciais. A República Dominicana também planeja iniciar lançamentos comerciais a partir de 2028, com a empresa Launch On Demand. Os céus do sul do continente, especialmente Chile e Argentina, são ideais para a observação do espaço profundo. A astrofísica Lauren Flor Torres destaca que a região não se limita a “emprestar o céu” ou o território, mas também contribui com tecnologia e expertise.
O futuro da exploração espacial na América Latina inclui planos como a missão Colmena 2, prevista para 2028, que visa a prospecção mineral lunar com pequenos robôs. O objetivo é realizar operações de mineração com enxames de microrrobôs e pequenos rovers, trabalhando de forma cooperativa. A região continuará a desempenhar um papel importante na exploração espacial, com suas vantagens logísticas e tecnológicas.