Ciencia

Estudantes da Universidade de Sevilha descobrem segredos de 2 mil anos atrás em antigas sandálias espanholas

Um estudo publicado na revista Pyrenae revelou que sandálias de esparto encontradas em antigas minas da Espanha, datadas de mais de 2 mil anos, ajudaram arqueólogos a entender melhor como era a rotina dos trabalhadores da Idade do Ferro. A pesquisa, conduzida por arqueólogos da Universidade de Sevilha, mostrou que esse mesmo tipo de calçado continuou sendo utilizado por cerca de 400 anos, atravessando diferentes períodos históricos até a chegada do domínio romano. As sandálias foram encontradas em Urium, atual Riotinto, na Espanha, e demonstraram a eficiência desse modelo, mostrando como objetos simples podem fornecer informações importantes sobre a vida cotidiana de mais de dois mil anos atrás.

As sandálias de esparto, produzidas com fibras da planta Stipa tenacissima, eram fáceis de fabricar e também podiam ser consertadas quando apresentavam desgaste. Isso ajudava a prolongar sua vida útil e reduzia a necessidade de produzir novos pares com frequência. O terreno das minas era irregular e exigia um calçado resistente, leve e confortável para longas jornadas de trabalho. A equipe de arqueólogos utilizou técnicas modernas de análise, como microscopia eletrônica de varredura e microtomografia computadorizada, para preservar os objetos e observar detalhes internos das fibras sem causar danos às peças.

A descoberta revelou informações importantes sobre a fabricação do calçado, incluindo a identificação de fibras vegetais e técnicas de conserto. A coleção encontrada está entre os maiores conjuntos de calçados de fibras vegetais já descobertos na Península Ibérica. Como materiais orgânicos normalmente se deterioram com o passar do tempo, encontrar peças tão bem preservadas representa uma oportunidade rara para os pesquisadores. Além de ampliar o conhecimento sobre a mineração antiga, o estudo mostra como objetos simples podem revelar detalhes importantes sobre a vida cotidiana de mais de dois mil anos atrás.

As análises também revelaram que as sandálias de esparto permaneceram em uso por séculos porque atendiam muito bem às necessidades dos mineiros. A preservação desses objetos por mais de dois mil anos foi possível graças às camadas de cinzas que os protegeram. Essa descoberta ajuda a reconstruir o cotidiano dos trabalhadores e mostra a importância das fibras vegetais na mineração antiga.


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