Ciencia

Descubra o Cachimbo de Água Radioativa do Brasil que Temos em Nossas Mesas Há Mais de 1 Século

*A Cidade Paulista que Bebe Água Radioativa há Mais de um Século**

Na cidade de Águas da Prata, no leste de São Paulo, há mais de um século, os moradores bebem água que contém radioatividade, sem saber da origem desse sabor distintivo. Este não é apenas um fato interessante, mas também uma história que remonta a um vulcão extinto, que deu origem ao Maciço Alcalino de Poços de Caldas, uma região única no Brasil.

Essa água mineral, vendida como sinônimo de pureza neutra, sem história, tem um segredo: as fontes são classificadas como radioativas. A explicação pode ser encontrada a poucos quilômetros dali, na borda de uma caldeira vulcânica que começou a se formar há cerca de 90 milhões de anos. A água que corre por essas rochas vulcânicas profundas adquire um gás dissolvido, que se dispersa rapidamente quando deixa a bica, o que resulta em uma radioatividade temporária.

A cidade de Águas da Prata está encaixada no extremo oeste do Maciço Alcalino de Poços de Caldas, uma intrusão de rochas alcalinas em meio a rochas cristalinas, o que restou de uma caldeira formada pelo abatimento de um cone vulcânico, conforme o estudo técnico da Fundação Florestal do governo paulista. Nove oito nascentes foram mapeadas na estância, e elas não são iguais entre si. Conforme o levantamento de Mária Szikszay publicado no Boletim IG da Universidade de São Paulo, as fontes Villela e Vitória foram classificadas como fortemente radioativas, a fonte do Boi como radioativa, e as fontes Prata-Radioativa, Prata-Nova e Platina como fracamente radioativas.

Ao longo do ano, a chuva dilui a água e derruba a radioatividade, mas o efeito chega em tempos diferentes, dependendo da rocha pelas quais a água circula. Em algumas nascentes, a queda aparece no verão, juntamente com as chuvas, enquanto em outras, o efeito só se manifesta meses depois, no outono e inverno. A rocha funciona como um relógio atrasado. A região passou a ser chamada de laboratório por causa dessa característica única. A cidade é uma das únicas que apresenta essa combinação de sólidos totais dissolvidos e radioatividade temporária no Brasil.

Essa cidade que bebe água radioativa há mais de um século e nasceu na borda de um vulcão extinto é um fascínio único e um caso de interesse científico, que mostra a diversidade e a complexidade da geologia brasileira.


Descubra mais sobre Toda On

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Analise este conteúdo com IA

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *.