Descubra agora o núcleo de 228 metros sob 600 metros de gelo na Antártida que revela um oceano antigo
Uma equipe do projeto SWAIS2C, que envolve cientistas de diversas instituições, liderada por John W. Dawson, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Geórgia, realizou uma perfuração na Plataforma de Gelo Ross, na Antártida Ocidental, e retirou um núcleo sedimentar de 228 metros, que guarda sinais de um oceano que desapareceu há 23 milhões de anos. O núcleo foi retirado em Crary Ice Rise, um domo de gelo aterrado na margem interna da Plataforma de Gelo Ross, a mais de 700 quilômetros das estações antárticas mais próximas. A perfuração foi um desafio de logística, energia e perfuração, e o núcleo é considerado o mais longo já perfurado sob uma camada de gelo.
A Calota de Gelo da Antártida Ocidental é uma das grandes incertezas nas projeções de elevação do nível do mar, pois se essa massa de gelo derretesse por completo, estimativas científicas indicam uma alta global entre 4 e 5 metros. O projeto SWAIS2C busca registros geológicos sob a Plataforma de Gelo Ross para entender quanto a calota recuou em períodos antigos de aquecimento. A equipe utilizou uma combinação de perfuração com água quente, tubos de descida e um sistema rotativo para alcançar os sedimentos abaixo da camada congelada.
As camadas retiradas abaixo do gelo não têm sempre a mesma origem, parte do material se parece com sedimentos depositados sob uma camada glacial, enquanto outra parte indica ambiente de plataforma flutuante, margem com icebergs ou água aberta. Essa diferença é importante porque mostra que o local nem sempre esteve coberto por gelo espesso. O núcleo preserva lama, rocha e fósseis marinhos que ajudam a reconstruir fases mais quentes da Terra. Sinais de conchas e organismos marinhos indicam que partes da área já podem ter ficado livres de gelo em fases antigas.
O achado chama atenção porque coloca um registro direto em uma região estratégica da Antártida Ocidental. O núcleo fornece uma linha do tempo física para comparar temperaturas antigas, recuo da Plataforma de Gelo Ross e possíveis respostas da Calota de Gelo da Antártida Ocidental. A perfuração e análise do núcleo são fundamentais para entender melhor o passado e o futuro das áreas costeiras, especialmente em um contexto de mudanças climáticas.
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