Ciencia

Descubra agora a água de Caxambu que tem milhares de anos e atravessou um vulcão

Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Universidade de São Paulo (USP) descobriram que a água que os moradores de Caxambu, no sul de Minas Gerais, bebem é mais antiga que milhares a dezenas de milhares de anos e atravessou um vulcão antes de chegar ao copo. Segundo o Projeto SIGA-Circuito das Águas, estudo encomendado pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e executado ao longo de 11 meses, com investimento em torno de R$ 2 milhões, as águas são mais velhas que a mulher Luzia, que viveu em Minas Gerais há cerca de 11 mil anos. A água que abastece as doze fontes do Parque das Águas Dr. Lisandro Carneiro Guimarães, no centro da cidade de Caxambu, caiu provavelmente na Serra da Mantiqueira há milhares de anos e passou por dentro de um antigo edifício vulcânico antes de reaparecer. O estudo aponta que a origem provável está longe do parque, na Mantiqueira, e que as águas carregam a assinatura de rochas alcalinas e são mais salinizadas que as das estâncias vizinhas.

As águas de Caxambu são conhecidas como paleoáguas, águas de chuva antigas que viraram água subterrânea e circulam desde então em aquíferos profundos, de centenas de metros a alguns quilômetros abaixo da superfície. A Sociedade Brasileira de Geologia (SBGeo) divulgou os resultados do projeto e explicou que as águas de Caxambu carregam a assinatura de rochas alcalinas e são mais salinizadas que as das estâncias vizinhas, porque, perto do fim do longo trânsito subterrâneo, circulam na parte profunda de um edifício vulcânico alcalino, uma estrutura magmática antiga hoje parcialmente exposta no Morro do Caxambu. Isso explica por que fontes separadas por poucos passos entregam bicarbonatada de um lado e ferruginosa do outro. O estudo derrubou uma explicação anterior ao mostrar que os gases não vêm das turfeiras rasas do entorno e que as paleoáguas não têm conexão direta com as águas superficiais das sub-bacias, o que ajuda a entender por que elas se mantêm preservadas.

O morro que os moradores veem da janela é, na prática, o último filtro químico de uma viagem de milênios. As águas de Caxambu são um exemplo de como a natureza pode criar processos complexos e fascinantes, e como a geologia pode influenciar a química da água. A descoberta das paleoáguas em Caxambu é importante porque ajuda a entender melhor a forma como as águas subterrâneas se formam e se movem, e como elas podem ser afetadas por processos geológicos. Além disso, a preservação dessas águas é fundamental para manter a qualidade da água potável em Caxambu e em outras regiões. O estudo do Projeto SIGA-Circuito das Águas é um exemplo de como a pesquisa científica pode contribuir para a compreensão e a preservação do meio ambiente.

A pesquisa realizada pelos cientistas da UFMG, UFOP, UERJ e USP, com o apoio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), é um exemplo de como a colaboração entre instituições de ensino e pesquisa pode levar a resultados importantes e inovadores. O investimento de R$ 2 milhões no Projeto SIGA-Circuito das Águas foi fundamental para a realização do estudo, que contou com a participação de pesquisadores especializados em geologia e hidrologia. A Sociedade Brasileira de Geologia (SBGeo) também desempenhou um papel importante na divulgação dos resultados do projeto, ajudando a compartilhar os conhecimentos adquiridos com a comunidade científica e o público em geral. A descoberta das paleoáguas em Caxambu é um exemplo de como a ciência pode contribuir para a compreensão e a preservação do meio ambiente, e como a colaboração entre instituições e pesquisadores pode levar a resultados importantes e inovadores.


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