Descoberto reservatório de magma gigante igual ao de supervulcão sob a Itália
Uma equipe de cientistas liderada pelo professor Luca Ferrari, da Universidade de Genebra, em parceria com o Instituto de Geociências e Recursos da Terra do CNR e o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália, descobriu um reservatório de magma do tamanho de um supervulcão sob a região da Itália sem nenhum vulcão ativo. A descoberta foi publicada na revista Communications Earth & Environment em abril de 2024. A equipe identificou cerca de 6.000 km³ de fluidos vulcânicos entre 8 e 15 km de profundidade, o que é comparável a sistemas magmáticos ligados a grandes caldeiras, do tipo associado a um supervulcão.
A região em questão não tem paisagem marcada por vulcões ativos recentes, crateras abertas ou erupções históricas ligadas a esse reservatório. Por isso, métodos tradicionais de observação superficial nunca indicaram uma estrutura tão volumosa sob a crosta. A técnica usada foi a tomografia por ruído ambiente, que analisa vibrações naturais contínuas do solo, geradas por ondas oceânicas, vento e tráfego, entre outras fontes que atravessam a crosta terrestre. Quando essas ondas passam por regiões com material fundido ou fluidos quentes, elas se propagam mais devagar, o que permitiu construir uma imagem do subsolo e reconhecer um sistema magmático muito maior do que se supunha até então.
A área já era conhecida por fontes termais e campos geotérmicos, incluindo a região de Larderello, onde a energia geotérmica é explorada há mais de um século. A nova descoberta ajuda a explicar por que o calor subterrâneo é tão expressivo por ali. De acordo com a Futura Sciences, o reservatório profundo pode alimentar essa atividade geotérmica regional sem necessariamente produzir uma erupção. Isso reforça a ideia de que um sistema comparável a um supervulcão pode estar ativo em profundidade, mas discreto na superfície.
A descoberta é importante porque pode ajudar a entender melhor a dinâmica do sistema magmático sob a crosta terrestre e a atividade geotérmica na região. Além disso, pode ter implicações para a exploração de energia geotérmica e para a monitoração de atividade vulcânica na Itália. A equipe de cientistas continuará a estudar o reservatório de magma para entender melhor suas características e comportamento.
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