Brasileiros relatam ameaças e ataques racistas na Argentina após derrota na final da Copa
Estudantes brasileiros, incluindo a universitária Lays Bressane, de 23 anos, moradora em Buenos Aires há quatro anos, enfrentam uma onda de ódio nas redes sociais após a derrota da seleção argentina na final da Copa do Mundo. O clima de rivalidade esportiva ganhou contornos preocupantes com reportes de intimidação, exposição de dados pessoais e ameaças, com alguns usuários sugerindo que os brasileiros recebessem “lições” “nas ruas”. A situação foi exacerbarada após uma transmissão da CrônicaTV, na qual um comentarista criticou os estudantes estrangeiros enquanto exibia publicações comemorando o resultado da partida, com afirmações como “Eles vêm pra cá estudar de graça e são ingratos”. A declaração repercutiu rapidamente e aumentou a tensão entre usuários argentinos e brasileiros.
Lays Bressane relatou ter recebido uma ameaça específica: “Quando eu te vir na universidade, pode ter certeza que você vai sofrer. Vou bater na sua cabeça com um martelo”. Em seguida, outra mensagem trazia a foto de uma arma acompanhada da frase “Na Argentina não brincamos”. Segundo ela, o cenário mudou após o aumento das manifestações racistas nas redes sociais. A universitária contou que chegou a torcer pela equipe argentina durante boa parte da competição. “Fui [ver o jogo] com a camisa da Argentina e postei que estava de ‘mufa’, que seria pé-frio. Mas não é sobre futebol, não. Porque até o jogo com a Jordânia eu torcia pra eles, até ver a quantidade de comentários racistas que fizeram com a gente”, desabafou. Ela também relembrou episódios anteriores de discriminação contra sua família, inclusive uma vez em que sua mãe, negra, foi mal tratada em um restaurante.
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