Ciencia

Astrônomos descobrem galáxia morrendo agora com James Webb

Um grupo internacional de astrônomos, liderado pelo pesquisador Dr. Roberto Decarli, do Observatório Astronômico de Trieste, na Itália, pode ter identificado uma das evidências mais antigas já observadas de uma galáxia deixando de formar estrelas. A equipe utilizou dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST), do Telescópio Espacial Hubble e do radiotelescópio ALMA para estudar a galáxia C26, localizada em um protoaglomerado distante, e encontraram sinais de que ela está perdendo rapidamente o gás necessário para criar novas estrelas. A descoberta poderá ajudar a explicar por que algumas galáxias se tornaram “mortas” tão cedo na história do universo, cerca de 1,4 bilhão de anos após o Big Bang.

A galáxia C26 faz parte do protoaglomerado SPT2349–56, uma região onde dezenas de galáxias estão se formando. O que diferencia C26 é sua aparência incomum, semelhante à de um cometa, com uma região principal brilhante seguida por uma longa cauda de gás e estrelas. As imagens obtidas pelos telescópios revelaram que essa cauda contém estrelas mais jovens e uma enorme quantidade de gás deslocado da galáxia principal. De acordo com os pesquisadores, a galáxia está perdendo gás devido à pressão do ambiente ao redor, um fenômeno que ocorre quando uma galáxia atravessa um meio composto por gás extremamente quente existente dentro de um aglomerado de galáxias.

Essa perda de gás leva ao fim da formação de estrelas, tornando a galáxia “morta”. O processo pode ocorrer por diferentes mecanismos, mas no caso da C26, as evidências apontam principalmente para a remoção do gás causada pela pressão do ambiente ao redor da galáxia. O gás deslocado forma uma cauda longa, calma e difusa, característica típica desse processo. Além disso, a direção da cauda aponta para o centro do protoaglomerado, exatamente como previsto pelos modelos que descrevem esse tipo de interação.

A descoberta é importante porque até hoje, esse tipo de perda intensa de gás era observado principalmente em aglomerados de galáxias já maduros e completamente desenvolvidos. O SPT2349–56, entretanto, ainda está em formação e representa uma fase muito jovem da evolução do universo. A pesquisa pode fornecer insights valiosos sobre a evolução das galáxias e o papel do ambiente ao redor na formação de estrelas. Além disso, a identificação de galáxias “mortas” pode ajudar a entender melhor a história do universo e a formação de estruturas cósmicas.

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