Política de Eleições e Segurança em Honduras – Contexto e Desafios (30 de outubro de 2024)

O dia 30 de outubro de 2024 marca a realização das eleições presidenciais, legislativas e municipais em Honduras, país de pouco mais de seis milhões de habitantes. Os eleitores deverão decidir sobre a Presidência, 128 assentos no Congresso e cerca de 300 cargos de prefeito e vice‑prefeito. A candidatura da esquerda, representada por Rixi Moncada do partido Liberdade e Refundação (Libre), concorre com os candidatos dos partidos conservadores Liberal (PL) e Nacional (PN), Salvador Nasralla e Nasry Asfura, respectivamente. Todos os três candidatos figuram em pesquisas de equidade de apoio.

O processo eleitoral ocorre sob o regime de estado de emergência permanente, instituído em 2022 para conter a expansão de gangues e tráfico de drogas. A “mará” mantém, em diversas regiões, autoridade superior à das instituições estatais. O governo de Xiomara Castro, que chegou ao poder em 2020 com promessas de combate à corrupção e ao “narco‑Estado”, enfrentou em 2023 uma série de revelações que minaram sua credibilidade. Um vídeo divulgado no mesmo ano mostrou Carlos Zelaya, irmão do ex‑presidente Manuel Zelaya e figura central do Libre, acompanhado de narcotraficantes que lhe ofereceram mais de R$ 500 mil para financiar a campanha de Castro em 2013. Tal episódio alimentou a percepção de que o clã político Castro poderia estar envolvido em redes de narcotráfico, em contradição à sua retórica de reforma.

Em termos institucionais, a organização das eleições revelou fragilidades que geram questionamentos sobre a legitimidade do processo. A entrega tardia de urnas pelas Forças Armadas, a abertura tardia de centros de votação e as suspeitas de fraudes durante as primárias de março de 2024 foram apontadas como práticas que podem comprometer a transparência e a igualdade de condições para os candidatos. Além disso, a falta de autonomia e recursos das entidades responsáveis pela supervisão do pleito, como a Comissão Eleitoral, dificulta a garantia de procedimentos democráticos robustos. A ausência de mecanismos eficazes de monitoramento internacional e de auditorias independentes intensifica o risco de irregularidades.

As consequências práticas são múltiplas. A persistência da influência gangues pode afetar a participação eleitoral, sobretudo em áreas de forte presença das “maras”, onde o medo de retaliação pode suprimir a expressão democrática. A fragilidade institucional pode levar à desconfiança nas instituições públicas, agravando a instabilidade política e dificultando a implementação de reformas estruturais. Por fim, a percepção de envolvimento político em crimes de tráfico de drogas pode enfraquecer o apoio internacional, reduzindo a assistência técnica e financeira destinada ao fortalecimento do Estado de direito. A consolidação de um processo eleitoral transparente e independente, aliado ao combate efetivo à criminalidade organizada, é fundamental para garantir a legitimidade do governo eleito e a estabilidade do país.

Compartilhe

Comentários desativados

Exit mobile version