Em 1987 o Whitesnake lançou o álbum autointitulado que, em menos de três meses, subiu às paradas de vendas nos Estados Unidos e no Reino Unido, consolidando a banda no cenário do glam‑metal que dominava o MTV. Entre os singles que impulsionaram o disco, “Still of the Night” se destacou não apenas pelo riff de guitarra de John Sykes, mas principalmente por seu videoclipe, no qual a modelo Tawny Kitaen, então esposa do vocalista David Cover Dale, assumiu o papel da “prostituta de luxo” que aparece no final do filme. A participação dela transformou a peça em um dos clipes mais comentados da época, catapultando a artista para a notoriedade da cena de videoclipes.

Tawny Kitaen nasceu Julie Ellen Kitaen, já era referência na Sunset Strip quando apareceu na capa de Out of the Cellar (1984), o álbum de estreia multiplatinado do Ratt, e também atuou em filmes B, como The Last Party (1984) com Tom Hanks. Por esses trabalhos, ela já possuía experiência em frente às câmeras, mas evitava aparecer em videoclipes de rock, considerando seu papel como atriz. Seu relacionamento com Cover Dale, que começou durante as gravações do álbum Whitesnake, abriu uma porta inesperada: no dia anterior à filmagem de “Still of the Night”, o diretor Marty Callner pediu que ela viesse revisar os storyboards. “Ele apontou para mim e disse: ‘É ela’, e eu respondi: ‘Sou quem?’” contou Kitaen em entrevista. A decisão de participar, motivada pelo fato de estar ajudando o namorado, acabou colocando sua imagem na mídia de forma irreversível.

A substituição de Claudia Schiffer – que inicialmente havia sido escolhida como a musa do videoclipe – por Kitaen foi decisiva para o tom visual do vídeo. Enquanto Schiffer era uma supermodelo ainda em ascensão, Kitaen trouxe um ar de sensualidade e “bad girl” que se alinhava à estética glam‑metal e à narrativa de “bailarina de alto risco” que o diretor desejava. O clipe, com cenas em um luxuoso hotel de Bel Air e um final de “pula da escadaria”, recebeu rodízio intenso na MTV, onde o vídeo acumulou mais de 1.000 minutos de exibição em quatro semanas, contribuindo diretamente para o posicionamento do Whitesnake como referência visual do gênero.

O impacto da presença de Kitaen nos videoclipes do Whitesnake ultrapassou o álbum de 1987. Os clipes subsequentes – “Here I Go Again”, “Is This Love?” – continuaram a usar a combinação de imagens sensuais, produção de alto padrão e narrativa que havia sido estabelecida em “Still of the Night”. Essa abordagem ajudou a banda a alcançar mais de 12 milhões de cópias vendidas mundialmente e a manter-se nas paradas de Top‑40 em vários países. No cenário musical da década, a colaboração entre Cover Dale e Tawny Kitaen demonstrou como a sinergia entre música, imagem e storytelling visual pode elevar uma banda ao status de “astro”, solidificando o Whitesnake como ícone duradouro do rock dos anos 80.

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