Chips de abobrinha na air fryer são o novo jeito de fazer o tradicional “bagulhinho” de bar sem culpa e sem fritura: a abobrinha, legume de origem americana que já virou queridinha das cozinhas brasileiras por ser leve, versátil e quase isenta de gordura, ganha textura de snack industrial quando fatiada em rodelas finíssimas, levemente “encobertas” com um empanado saboroso e submetidas à ação seca e rápida do ar quente. O truque nasceu dos restaurantes que serviam vegetais desidratados como guarnição e ganhou as casas pela praticidade da fritadeira elétrica: em menos de quinze minutos o prato sai crocante, dourado e com um terço das calorias de uma batata frita, mantendo a quantidade generosa de fibras, potássio e vitaminas A e C que tornam a abobrinha um aliado da saúde intestinal e da imunidade.

O segredo do crocante começa no corte: use um mandoline ou uma faca bem afiada para obter fatias de 1,5 mm — espessura que permite que a água do vegetal evapore sem que o miolo amanse demais. Disponha as rodelas sobre papel-toalha, polvilhe sal grosso e deixe repousar dez minutos; o sal tira o excesso de umidade, evitando que os chips “cozinhem” antes de ficarem sequinhos. Enquanto isso, prepare uma mistura leve de clara de ovo batida até formar espuma firme — ela funciona como cola sem adicionar gordura — e outra tigela com farinha de rosca integral ou farelo de aveia, temperada com orégano, pimenta-do-reino, páprica defumada e um toque de casca de limão ralada para dar complexidade. Passe cada fatia pela clara, depois pela farinha, aperte delicadamente para aderir e disponha sobre a cesta da air fryer sem sobreposição; o ar precisa circular para que o dourado seja uniforme. Ligue o aparelho a 180 °C por nove minutos, vire as peças na metade do tempo e, se quiser um extra de cor, aumente para 200 °C nos últimos dois minutos, sempre observando: o ponto ideal é quando as bordas ficam marrons e o centro ainda com um leve brilho, pois endurece ao esfriar.

Quem quiser variar o perfil de sabor pode substituir a páprica por curry em pó, garam masala ou até canela com cominho para um toque adocicado; vegetarianos estritos trocam a clara por aquafaba — o caldo de grão de bico batido — que gera a mesma camada aderente. Se a ideia é um petisco proteico, polvilhe duas colheres de sementes de abóbora trituradas sobre as fatias antes de levar à air fryer: elas grudam na farofa e tostam junto, acrescentando crocância e nutrientes. Para servir como acompanhamento de carnes, acrescente erva-doce e limão siciliano ao tempero; já na versão “queijo e cebola”, uma pitada de levedura nutricional e cebola em pó resolve. Se não tiver mandoline, corte à mão, mas mantenha espessura pareada: fatias grossas demais amanhecem, finas demais queimam. E, caso sobre — o que é raro — guarde em pote hermético com um papel absorvente no fundo; assim permanecem crocantes por até 48 horas, bastando recolocar na air fryer por três minutos para recuperar o barulho do crack.

A lição mais valiosa vem da observação: cada modelo de fritadeira tem potência diferente, portanto use o primeiro lote como termômetro e anote o tempo exato que seu aparelho precisa; depois, a produção vira um ritual de cinco minutos de preparo e dez de espera, ideal para receber visitas de última hora ou para saciar a vontade de salgado no fim da tarde sem descer para a tentação do pacote industrializado.

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