No dia 12 de dezembro, o Carioca Club, em São Paulo, será palco de um espetáculo particular na agenda da cidade: Bruno Sutter subirá ao palco com a banda Vienna para executar um set dedicado aos 50 anos do Iron Maiden. Diferente do modelo usual de produção, o cantor e humorista bancou do próprio bolso o aluguel da casa – capacidade para 1,2 mil pessoas –, assumindo riscos financeiros e logísticos para viabilizar o projeto. A apresentação integra a turnê nacional que Sutter vem realizando desde 2022, quando começou a transportar o repertório clássico da formação britânica por teatros e casas de shows do país. Restavam dois estados fora do roteiro até então: o Acre, por dificuldades de deslocamento, e São Paulo, adiada propositalmente para que o músico pudesse montar uma produção que considerasse “coesa e à altura da importância da banda homenageada”.

A escolha do Carioca Club não é aleatória: o espaço, localizado na região da Vila Mariana, é um dos poucos do eixo Paulista que mantém estrutura técnica voltada ao rock e ao metal, com sistema de PA de três vias, iluminação em LED móvel e piso suspenso adequado para bandas de maior volume sonoro. Para o tributo, Sutter e a Vienna preparam arranjos que respeitam as versões de estúdio dos álbuns “The Number of the Beast”, “Piece of Mind” e “Powerslave”, mas incluem transposições de tonalidade para se adequar ao alcance vocal do interprete. A banda, formada em 2000 em Atibaia, já dividiu palco com artistas como Andre Matos e Hugo Mariutti; com Sutter, mantém uma parceria desde 2019, quando participou de gravações ao vivo do projeto “Massacration Symphony”. Ensaios para o show paulistano começaram em outubro, com foco em sincronia de duas guitarras – Marcelo Alfonsi e Richard Hrdlicka – e na reprodução fiel de riffs harmônicos que exigem captação single-coil e pedais de phaser, típicos do som do Maiden dos anos 80.

A operação comercial é enxuta: os ingressos estão em segundo lote, a R$ 150 (ou R$ 75 para meia-entrada/entrada solidária mediante doação de 1 kg de alimento não perecível), sendo comercializados exclusivamente pela plataforma Clube do Ingresso. Não há patrocinador master nem gravadora envolvida; os custos de aluguel, técnico e merchandising oficial – camisetas, canecas e pôsteres licenciados pelo selo da banda britânica – serão amortizados pela bilheteria. A decisão de autofinanciamento, segundo Sutter, reflete a dificuldade de encontrar apoiadores para projetos de nicho no atual mercado de entretenimento, especialmente após a pandemia, que reduziu o número de casas de shows na capital paulista em cerca de 25%, segundo dados da Associação Brasileira de Casas de Show (ABRA-CAS). Apesar do cenário adverso, a expectativa da produção é atingir 85% da lotação, patamar que considera suficiente para cobrir despesas e viabilizar gravação multitrack para possível lançamento audiovisual posterior.

O repertório previsto inclui clássicos como “Aces High”, “The Trooper”, “Flight of Icarus” e “Wasted Years”, além de “Fear of the Dark” e “Hallowed Be Thy Name”, faixas que exigem dinâmica progressiva e troca rápida de tempos – características que elevam a complexidade técnica do show. O trabalho de monitoração ficará sob responsabilidade do engenheiro Thiago “Big” Bignotto, que já trabalhou com Angra e Torture Squad, enquanto a mixagem frontal será tocada por Alexandre “Kande” Scalioni. A produção de luz terá operação em tempo real, sem uso de time-code, permitindo improvisos e interações com o público. O resultado, segundo integrantes da banda, deve durar cerca de duas horas e trinta minutos, incluindo um bis com “Running Free” e “Sanctuary”, música rara nos tributos nacionais e que volta ao set após consulta com fãs em enquete nas redes sociais.

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