Em tempos de plataformas de conteúdo adulto dominando a internet, os filmes de “amor intenso” ainda resistem na TV aberta, atraindo um público considerável. A sessão Cine Privé, da Band, que exibe esses filmes em horários tardios, continua a ser uma atração para milhares de telespectadores. De acordo com dados obtidos, apenas na Grande São Paulo, cerca de 79,9 mil pessoas assistiram ao filme “Consultas íntimas – Vol. 1” (1998) em uma madrugada de maio, enquanto “Tentação no Deserto” (1999) reuniu 59,9 mil telespectadores em uma sessão anterior. Esses números são suficientes para lotar estádios como o Maracanã, no Rio de Janeiro, que tem capacidade para 78 mil espectadores.
A sessão Cine Privé estreou nos anos 1990 e rapidamente se tornou um fenômeno de audiência e curiosidade no Brasil. Para muita gente, era a única maneira “acessível” de assistir a conteúdos eróticos sem precisar enfrentar a vergonha da locadora ou gastar dinheiro comprando revistas e fitas VHS escondido. O Cine Privé era um programa que muita gente dizia não assistir, mas sabia exatamente qual filme tinha passado. Entre os maiores símbolos da sessão, estavam os filmes da personagem Emmanuelle, protagonizados inicialmente pela atriz Sylvia Kristel (1952-2012). As produções misturavam erotismo, romance e uma estética mais sofisticada para a época, muito diferente do pornô explícito que se popularizou na web.
Os filmes exibidos no Cine Privé geralmente apresentam uma direção que busca explorar temas como o amor e a paixão, com uma abordagem mais artística e menos explícita do que o conteúdo adulto encontrado na internet. O elenco é frequentemente composto por atores e atrizes que se especializam em papéis eróticos, enquanto o roteiro busca criar uma atmosfera sensual e emocional. A fotografia também é um aspecto importante, com uma estética que valoriza a beleza e a sensualidade. Sem dúvida, o Cine Privé é uma sessão que continua a atrair um público considerável, mesmo em uma era de mudanças nos hábitos de consumo de conteúdo adulto.
É curioso notar que, apesar da concorrência de plataformas de conteúdo adulto, o Cine Privé ainda mantém uma audiência fiel. A versão mais recente de Emmanuelle, lançada em 2024, é um exemplo de como a franquia continua a ser relevante, mesmo após décadas de sua estreia. Enquanto o público continuar a se interessar por conteúdo erótico e romântico, é provável que o Cine Privé continue a ser uma atração na TV aberta.